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May 5, 2026 - 00:04:28
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Published Apr 21, 2026, 00:05:07 long, audio available.
A endometriose afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo o Ministério da Saúde. A doença ocorre quando tecido semelhante ao endométrio – que reveste o interior do útero – cresce fora da cavidade uterina, e atinge órgãos como ovários, intestino e bexiga, provocando inflamação crônica, dor e podendo causar infertilidade. Por que algumas mulheres desenvolvem a endometriose? As causas ainda não são totalmente conhecidas, mas podem envolver fatores genéticos, hormonais e imunológicos. No Brasil, de acordo com dados oficiais divulgados em 2025, os atendimentos de atenção primária relacionados à doença no SUS cresceram 76,2% em três anos. Segundo a ginecologista e obstetra Maria Cecília de Sá, especialista em endometriose que atua em hospitais de Uberlândia (MG), o aumento está diretamente ligado à ampliação do diagnóstico. “À medida que a doença passa a ser mais identificada, mais casos são registrados”, afirma. “Acreditava-se que era normal sentir dor e isso é mais uma construção cultural do que um entendimento médico. Hoje fazemos mais diagnósticos. As mulheres têm menos filhos, engravidam mais tarde, passam por mais ciclos menstruais e sentem mais dor. É um conjunto de fatores que ainda precisa ser compreendido”, diz. Atualmente, as pacientes têm buscado mais ajuda médica e deixaram de considerar as dores intensas e as cólicas como algo normal durante o período menstrual. “Os profissionais estão mais atentos e o atendimento é mais especializado, embora o Brasil enfrente dificuldades nos municípios menores. Os centros especializados ainda se concentram nas capitais”, observa. Para ampliar o acesso ao tratamento, o SUS aprovou leis recentes e, desde 2025, oferece duas opções terapêuticas: o dispositivo intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU-LNG) e o desogestrel. Em nota, o Ministério da Saúde informa que os medicamentos são indicados para mulheres com contraindicação ao uso de anticoncepcionais orais combinados. A ginecologista comemora os avanços, mas lembra que faltam especialistas para colocá-las em prática. Maria Cecília, que também é cirurgiã, lembra que a trajetória de cada paciente é única. “Você decide com ela se fará o tratamento clínico, associar atividade física, alimentação, terapia, para tratar o quadro depressivo que essa mulher tem por ter tanta dor e má qualidade vida e, por fim, decidir pela cirurgia, que é o fim da história e pode mudar a vida da paciente, seja no tratamento da infertilidade ou para melhorar a dor dela.” Endometriose pulmonar Muitas mulheres chegam à consulta já desconfiando do diagnóstico. Segundo a especialista, além do maior acesso à informação, é comum que relatos de dor tenham sido minimizados ao longo dos anos. “Elas passaram por vários médicos e não foram ouvidas. Muitas vezes, o diagnóstico pode ser feito só pela escuta.” O perfil mais comum é de mulheres que menstruam cedo, têm fluxo intenso e cólicas severas, sintomas frequentemente naturalizados desde a adolescência. O diagnóstico, no entanto, costuma ocorrer apenas por volta dos 30 anos. “Quando a mulher para o anticoncepcional para engravidar, a dor volta, e surge também a dificuldade para ficar grávida”, explica. Além da avaliação clínica, o diagnóstico pode envolver ultrassonografia com mapeamento, ressonância magnética da pelve e marcadores laboratoriais. A confirmação definitiva é feita por biópsia da lesão. A endometriose pode atingir diferentes órgãos. Recentemente, a médica atendeu uma paciente com endometriose pulmonar, que apresentava sangramentos no tórax durante o período menstrual. “É um caso raro, mas mostra como ainda há muito a ser compreendido sobre a doença”, afirma. Segundo o Ministério da Saúde, o intervalo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico pode chegar a seis ou sete anos. “Nosso objetivo é aliviar o sofrimento dessas mulheres e de suas famílias. Não é um caminho simples”, conclui a especialista.
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