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May 11, 2026 - 00:08:46
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A gestão de resíduos urbanos e do plástico descartado estão no centro de um problema crescente à escala mundial e Moçambique não é excepção. A incapacidade de dar resposta ao volume de lixo produzido expõe fragilidades e...
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Published May 5, 2026, 00:10:54 long, audio available.
A gestão de resíduos urbanos e do plástico descartado estão no centro de um problema crescente à escala mundial e Moçambique não é excepção. A incapacidade de dar resposta ao volume de lixo produzido expõe fragilidades estruturais e ambientais. Fenómenos como chuvas intensas ou falhas nos canais de drenagem aceleram o problema. No centro desta crise está o plástico, um material omnipresente e cada vez mais difícil de gerir, agravado por um sistema de produção e consumo que dificulta qualquer solução eficaz. Em Maputo, basta chover com intensidade para que o problema dos resíduos urbanos se revele à superfície: canais de drenagem entupidos, ruas inundadas e toneladas de lixo arrastadas em direcção aos rios e ao oceano. O plástico assume papel central nesta problemática da gestão de resíduos urbanos. O problema não está apenas na falta de civismo ou de infra-estruturas, mas num sistema que produz lixo difícil - ou impossível - de reciclar. “ Num único produto […] tem-se vários tipos de plástico, o que torna a reciclagem muito desafiadora e até insustentáve l”, deixando uma parte significativa destes resíduos sem destino eficaz e mais propensa a acumular-se no ambiente e a ser arrastada para rios e oceanos, alerta Sharon Clésia, assistente de projectos e ponto focal do aplicativo KOLEKT na AMOR - Associação Moçambicana de Reciclagem . A omnipresença do plástico tem consequências directas nos ecossistemas e na saúde humana. “ Acaba, de facto, forçosamente no nosso prato ”, diz, referindo-se ao percurso dos resíduos que, sem tratamento adequado, chegam aos oceanos e entram na cadeia alimentar sob a forma de microplásticos. Embora mais visível em grandes centros urbanos, o problema estende-se a todo o país. “ Eu diria que é igual no país todo. Contudo, os volumes variam consoante o nível de poder de compra ”. Mesmo em zonas remotas, a situação é alarmante: “ Vimos a presença de resíduos sólidos no mangal de uma forma escandalosa ”, explicou a jovem engenheira ambiental, após projectos realizados em regiões como Inhambane. As consequências são múltiplas. Em meio urbano, incluem inundações provocadas pelo entupimento de sistemas de drenagem. Já nos ecossistemas naturais, o impacto é devastador: “ O plástico nos mangais […] sufoca o ecossistema ” e afecta espécies que dependem destes habitats. “ Certos animais confundem pequenos pedaços de plástico com alimento […] e, por meio da cadeia alimentar, vão parar ao prato dos seres humanos. ” Perante este cenário, a técnica da AMOR não hesita: “ É uma bola de neve […] que precisa ser travada, porque, ao contrário, caminhamos para um precipício, para uma crise de saúde pública. ” Uma das respostas encontradas pela AMOR foi a criação do sistema das “ moedas azuis ”, que incentiva a recolha de resíduos através de compensação financeira: “ Colocamos um valor económico como forma de incentivo para a recolha desses resíduos sólidos ”. O modelo é simples: por cada quilograma de resíduos entregue, há um pagamento variável consoante o tipo de material. A iniciativa surgiu em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando campanhas tradicionais de limpeza foram interrompidas. “ Pensámos que era mais interessante estimular aquelas pessoas que estavam sem trabalho […] com um preço simbólic o” e o resultado surpreendeu: “ Em cinco semanas tivemos mais de 300 toneladas de resíduos recolhidos. ” Desde então, o projecto evoluiu, incorporando tecnologia digital através da aplicação KOLEKT e alargando o seu alcance com financiamento internacional. “ Passámos de uma fase experimental para uma estratégia que funciona ”, afirmou.
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“O plástico nos mangais sufoca o ecossistema” is an episode from Ciência by France Médias Monde.
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This episode was published on May 5, 2026.
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